sábado, outubro 21, 2017

Saudades do Mark Chingono

Tenho saudades de ler o “Mark Chingono no seu livro The State, Violence and Development. The political Economy of the war in Mozambique” por uma razão. 
Ele escreve algo como esta: os moçambicanos gostam de confusão. Li o livro em 2001. Uma das coisas que me marca nesta obra é qualquer coisa como: “Quando há qualquer confusão, moçambicanos correm para lá para assistir e  aplaudir... Os moçambicanos gostam de confusão”

terça-feira, outubro 17, 2017

Entre parêntesis

José Jaime Macuane
...Muitas pessoas estão a questionar onde andava o aparelho de segurança enquanto os "meninos" de Mocímboa da Praia estavam a ser encubados e porquê não se levou a sério os alertas que vinham de várias fontes (não vou aqui considerar a explicação conspiracionista, mais picante e que me parece oportunista).
A resposta a isso não é simples, mas vou tentar dar uma explicação parcial, simples, mas não simplista. Os mais puritanos considerem isso uma hipótese a testar.
Aí vai: o aparelho securitário ficou refém das prioridades estreitas e "short-sighted" de segurança definidas neste país, que de um foco nas verdadeiras ameaças de segurança do país e do Estado passou a priorizar as ameaças políticas aos governantes do dia. Entenda-se isso aos opositores e críticos e ao mero exercício de direitos cidadãos (manifestação como um deles) que possam colocar a nu as mazelas da má governação (má governação existe em todo o mundo, menos em Moçambique, segundo alguns). Como argumento preliminar, apontaria o recrudescer da repressão nos últimos tempos como sugerindo que as coisas foram neste sentido... Ler mais 

Moçambique: FMI reafirma que sem transparência não haverá financiamento

O organismo interrompeu a ajuda a Moçambique após a descoberta de dívidas secretas de pelo menos dois mil milhões de dólares.
A retomada da ajuda financeira a Moçambique pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) carece da clarificação do uso do dinheiro das dividas ocultas que o país contraiu ao Credit Suisse e VTB da Rússia, reafirma a organização.
O corte de apoio ao orçamento de Estado moçambicano foi na sequência da descoberta de empréstimos secretos - de pelo menos dois mil milhões de dólares - que o governo contraiu com os referidos bancos.

PGR quer anulação de acordos assinados por ministro dos Transportes e seu irmão

A Procuradoria-Geral da República requereu a anulação dos memorandos de entendimento assinados no ano passado entre Ministério dos Transportes e Comunicações e as empresas Conelder, associada à família do ministro desta pasta, divulgou uma fonte da instituição.
De acordo com a fonte, citada hoje pelo jornal Notícias, a PGR entende que se tratava de uma situação de conflito de interesses, na medida em que os contratos foram assinados pelo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, e pelo seu irmão, o falecido administrador da Carnelder, Adelino Mesquita.
Os contratos, assinados em julho do ano passado, são referentes à concessão dos principais portos nacionais às empresas Carnelder Moçambique e Carnelder Quelimane.

domingo, outubro 15, 2017

Presidente da Assembleia Municipal de Sussundenga indiciado no desvio de 2 milhões MT

O Presidente da Assembleia Municipal de Sussundenga, em Manica, está detido desde a última sexta-feira, indiciado de envolvimento no roubo de cerca de dois milhões de meticais dos cofres da edilidade local.
A informação foi avançada pelo Procurador-Chefe daquele distrito, o qual esclareceu que tal medida visa investigar o seu envolvimento no crime.
O caso foi despoletado já há alguns meses e foi denunciado pelo Presidente do Conselho Municipal de Sussundenga.
Enquanto se compõem as peças do crime de desvio dos cerca de dois milhões de meticais, a procuradoria com aval do tribunal decidiu deter Jacob Muiambo, para mais investigações.
“Encontramos algumas evidências. Porque o indiciado em liberdade poderia perturbar a instrução do processo. Optamos por promover sua detenção, acto que teve a colaboração do tribunal judicial”, disse o procurador Remigí Guiamba.
Guiamba disse por outro lado, que em paralelo decorre uma auditoria ao nível do Conselho Municipal de Sussundenga, a qual está na sua fase conclusiva, além de outras acções visando a recuperação dos bens adquiridos com o valor roubado.
A Procuradoria não avança com outros nomes envolvidos no caso, mas diz que além do Presidente da Assembleia Municipal, outros dois arguidos, por sinal funcionários do Conselho Municipal afectos à vereação de finanças, também estão a ser ouvidos.

Fonte: O País – 13.10.2017

quarta-feira, outubro 11, 2017

O inimigo e a intriga, calúnia e boato

O inimigo não é capaz de abandonar a arrogância, o culto da intriga, da calúnia e do boato. (Samora Machel)

As palavras têm poder. Quando são bem empregadas elas podem edificar, encorajar, trazer paz, esperança e salvação. Mas quando são mal utilizadas, seu efeito é catastrófico, como o fogo destruidor (Tiago 3:6). Que efeito têm os boatos? Eles podem destruir amizades e afinidades. A Bíblia diz em Êxodo 23:1: “Não levantarás falso boato, e não pactuarás com o ímpio, para seres testemunha injusta.”
Conforme descrito em Provérbios, os mexericos são tão prejudiciais e duradouros como ferimentos físicos: “Malho, e espada, e flecha aguda é o homem que levanta falso testemunho contra o seu próximo” (Provérbios 25:18). Os boatos são uma perda de tempo precioso. Pessoas ocupadas e dedicadas em cumprir fielmente o seu dever não encontrarão tempo nem se intrometerão nas questões alheias: “Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes intrometendo-se na vida alheia; a esses tais, porém, ordenamos e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando sossegadamente, comam o seu próprio pão” (2 Tessalonicenses 3:11-12).
Os boatos arruínam amizades: “O homem perverso espalha contendas; e o difamador separa amigos íntimos” (Provérbios 16:28). Os boatos baseiam-se em rumores: “O que anda mexericando revela segredos; mas o fiel de espírito encobre o negócio” (Provérbios 11:13). O mexeriqueiro é aquele que sai difamando ou fazendo fofoca, como o querubim caído em Ezequiel 28:16. O “fiel de espírito” refere-se à pessoa que é confiável. O cristão deve ser íntegro, honesto, justo e de confiança. Ele deve saber dominar a própria língua e usá-la para edificar, ensinar a verdade, encorajar no caminho do bem e advertir em amor e bondade.

In Bíblia (11.10.2017)

sábado, outubro 07, 2017

Editorial: Pura covardia

A intolerância política no país continua a ganhar proporções alarmantes sob olhar indiferente das autoridades que têm o dever de colocar cobro nessa situação. A título de exemplo, o assassinato do presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Mahumudo Amurane, representa o cúmulo da violação de liberdade de expressão e política. Amurane foi ironicamente assassinado no “Dia da Paz” em Moçambique, na sua residência particular no bairro de Namutequeliua, por um indivíduo desconhecido que disparou três tiros à queima roupa.
O assassinato do edil de Nampula representa uma enorme tragédia não só para os munícipes de Nampula, mas também para o resto do país. Amurane não era apenas um edil, mas um homem comprometido com o seu povo e a sua cidade. Amurane mostrou que é possível estar no poder para servir o povo e não aos seus interesses pessoais, como temos vindo a assistir no país. Em menos de quatro anos, ele fez de Nampula uma cidade aprazível. Transformou os espaços da urbe e devolveu a dignidade aos munícipes.
O brioso trabalho de Amurane, certamente, causou inveja a um bando de incompetentes que olha para o Estado como se de uma vaca leiteira se tratasse. Num país governado por abustres, Amurane foi assassinado por ser uma pessoa idónea, íntegra e incorruptível.

sexta-feira, outubro 06, 2017

Assassinio do grupo x

Moçambique é um país pobre, disso compreende-se. Mas será que não é possível investir em polícia capaz de apanhar os assassinos e levá-los à barra da justiça?
Eu não creio que seja difícil, mas que em Moçambique temos um problema sério. Falando somente da província de Nampula sobre quantos assassínios que se podem atribuir a esquadrões da morte já vimos reportados desde 2014
Eu lembro-me e reagi sobre o caso de Murrupula, em 2014, que até os corpos foram exumados mas que até aqui os autores nunca ao tribunal. O caso foi atribuido à PRM, mas nunca houve consequência.
Em Outubro de 2016, em Ribáuè, dois cidadãos foram mortos a queima roupa por indivíduos que se transporavam numa viatura da marca Toyota Hilux. Até aqui nunca me informei se eles foram ou não detidos.
No final do ano de 2016, em plena cidade de Nampula, o cidadão José Naitele foi morto a queima roupa, atingido por mais de dez balas y os atores do crime são até agora desconhecidos. 
Agora, o dia 4 de Outubro, em plena cidade de Nampula, é assassinado o Presidente do Município do mesmo nome. Já lá vão mais de 48 horas e não se fala de nenhum autor concreto. Sobre o assassinado de Amurane muitas  especulações para aproveitamento da sua morte do seu sangue para fins inconfessos que exigência às autoridades para apanhar os autores do crime e puní-los. Ouso dizer que se neutralizassem os primeiros, ter-se-ia poupado a vida de Mahamudo Amurane. O mesmo digo quanto aos assassinos de Amurane que se forem apanhados e condenados se pouparão vidas de muitos outros.


­Nota: Já há bons familiares e amigos que me aconselham deixar de me dedicar sobre assuntos desta natureza porque já temem das acções dos bandidos à solta.

quinta-feira, outubro 05, 2017

Assaltantes com vestes islâmicas atacam cidade moçambicana

Fontes locais dizem que atacantes roubaram armas e tentam controlar a vida de Mocimboa da Praia

Um grupo de pessoas com vestes islâmicas atacou um comando da Polícia, matou três agentes a tiros e assumiu o controlo na madrugada desta quinta-feira, 5, de Mocimboa da Praia, uma vila satélite de Pemba, a capital da provincia moçambicana de Cabo Delegado.
Pelo menos foram contabilizados até agora cinco mortos, sendo três policias e dois atacantes, e dezenas de feridos.
A VOA apurou junto de fontes locais que um dos atacantes foi capturado.
O grupo com armas de fogo e vários materiais contundentes atacou o comando da Força de Proteção dos Recursos Naturais, ligada à Polícia, roubou armamento e, em simultâneo, invadiu a vila, que já controla.

Manuel de Araújo considera que a paz foi assassinada

De Araújo diz não ter dúvidas de que responsáveis pelo assassinato de Amurane pretendem amedrontar o sonho de um povo
O edil de Quelimane, Manuel de Araújo, considera que a morte do seu homólogo de Nampula um duro golpe à liberdade e democracia. “Não mataram só Amurane, mataram o 04 de Outubro! Mataram a Paz! Mataram a esperança de um povo! Mas dos escombros desta paz assassinada, nascerá a esperança de um país verdadeiramente livre, onde não se baleia a perna de um compatriota ou se mata a concidadãos por pensarem de forma diferente”, disse numa publicação na sua conta do Facebook.
De Araújo diz ainda não ter dúvidas de que os autores do crime pretende estremecer os sonhos dos moçambicanos. “Não tenho dúvidas sobre a natureza nem sobre as motivações dos assassinos, que em pleno dia da paz, atiraram sem hesitação na pomba da paz, para de uma forma clara e inequívoca amedrontar o sonho de um povo”.

MDM apela justiça no assassinato de Amurane

“MDM repudia fortemente este acto de brutalidade e agressão gratuita”
A Comissão Política do MDM, alargada a outros quadros, esteve reunida de urgência, na manhã de hoje, na cidade da Beira, para analisar o assassinato de Mahamudo Amurane. No final, o presidente do partido, Daviz Simango, leu um comunicado no qual apela às autoridades de justiça para clarificar o crime.
“Estamos perante um acto criminal de natureza pública de todas formas condenável. O MDM repudia fortemente este acto de brutalidade, agressão gratuita e covardia”, disse Daviz Simango.
O MDM exortou ainda a polícia a tomar medidas necessárias no sentido de neutralizar os autores do crime.
Circulam nas redes sociais informações apontando o MDM como mandante do crime, dada as desavenças entre a vítima e a liderança do partido. Sobre o assunto, Simango reagiu, dizendo: “Temos visto as redes sociais a fazerem a desinformação, deixemos que a justiça faça o seu trabalho”, reiterou.
Na ocasião, Daviz Simango solidarizou-se com a família enlutada.

Fonte: O País – 05.10.2017

Líder da Renamo defende que assassinato de Amarune não foi orquestrado pelo MDM

Dhlakama diz que assassinato tem motivações políticas
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, admite a hipótese de Mahamudo Amurare ter sido assassinado por motivações políticas, mas põe de lado a possibilidade de tal acto macabro ter sido orquestrado pelo MDM, e apela a polícia a encontrar os assassinos.
“Não quero aceitar que a motivação tenha saído do MDM. Daviz Simango não tem esquadrão da morte, ele não teria coragem de pedir o esquadrão para abater o seu membro”, disse Dhakama.
Para Dhlakama, eventuais acordos secretos políticos ou económicos, entre Amurane e supostos parceiros, que não foram cumpridos, podem ter ditado a morte do edil de Nampula.
Contudo, para Dhlakama, o mais importante neste momento é clarificar o crime.

Fonte: O País – 05.10.2017